“Desvia”, Exposição do Coletivo Olho de Vidro, 2025

 

O Coletivo Olho de Vidro foi criado em 2007 por um grupo de fotógrafos de Ouro Preto com a participação de um poeta. Ao longo dos anos vem se renovando, de acordo com circunstâncias de cada momento, trazendo novos olhares. Em 2025 integram o Coletivo os fotógrafos Alexandre Martins, Cesar Tropia, Eduardo Tropia e Mila Damasceno, contando ainda com o convidado Alisson Lessa.

O Coletivo, sempre comprometido com Ouro Preto e Minas Gerais, realiza tradicionalmente uma exposição anual, onde estabelece um espaço de reflexão e experimentação por seus integrantes que trabalham com liberdade sobre o tema proposto, cada qual no seu canto, de forma independente e desconhecida. Assim, o Coletivo tem como premissa a diversidade do pensar e do olhar, traduzida na surpresa da exposição e suas múltiplas visões e interpretações.

Nos contrastantes desvios com que nos deparamos, o Coletivo Olho de Vidro propõe a exposição “Desvia” em 2025. E encontra a despalavra de Manoel de Barros: “Pois minha imaginação não tem estrada. Eu não gosto mesmo da estrada. Gosto de desvio e de desver… Eu queria mudar a feição das coisas… Era sempre um Tratado de Descoisas… O mundo eu só quero desver”*.

Desviar do talvez errado, do talvez certo. Desviar da estrada, da ponte, do rio, da pedra, do muro, dos estilhaços, da chuva ou do sol, do fechado ou do aberto, do esquecimento ou da lembrança. Ver diferente (nunca indiferente), buscando o seu lugar, a rua que desvia o passo, o olhar, o pensamento, a imaginação, a luz para outras (des)coisas. Desmaterializar, deslocar, inverter, refletir. Desvio barroco? Rever sempre. Fotografia, poesia em todos os caminhos.

*(trechos de carta do poeta Manoel de Barros (1916-2014) para José Castello, em fevereiro de 2012, publicada em “Tratado de Descoisas” / O Purgatório, por Tatiana Mendonça, em abril de 2012.